Entrevista: Janaina da Veiga (Mira)

7 perguntas para diretora e animadora Janaina da Veiga:

 

Hyena/ 1 – Sobre o que trata o curta metragem de animação Mira?

É sobre uma garota que sai em busca da realização de um pedido e tem que enfrentar uns monstros.

Hyena/ 2 – Quais filmes foram inspiração para você dirigir, roteirizar e animar? 

A maior inspiração foi o “A Girl Walks Home Alone at Night”, diria que eu sou obcecada por este filme desde que o vi. “Girl” tem elementos de filmes noir e de uma cultura pop meio datada. É um retrô-cool indie fantástico.

“Parque Pesadelo” daqui de Curitiba também me ajudou muito a entender que eu gostaria e poderia fazer uma animação. Com ele eu consegui entender qual seria a melhor técnica pra mim, embora não tenha sido a mesma!

Fora os filmes, tem o ilustrador John Kenn Mortensen, que é um cara especialista em monstros. Gosto dos cenários dele que são simples e ao mesmo tempo muito ricos, com muita textura e sempre em preto.

Hyena/ 3 – Como foi o processo de ilustração, animação, montagem e finalização?

Foi louco e conturbado, eu entendi que o método tradicional de fazer cinema, não funciona comigo. Não proponho um novo formato de cinema, este foi o que o processo me trouxe para este filme em específico. A parte de ilustração se sobrepôs à escrita, tanto que o filme não têm roteiro. Talvez seja uma falha, mas entendi melhor meu processo de criação.

Eu nunca havia animado, nunca havia aberto o After Effects então não sabia das possibilidades, a cada coisinha animada me abria um universo. Foi um puta aprendizado.

O filme foi tomando forma como se fosse caminhando com as próprias pernas, como se fosse independente de mim e foi assim até o final. Na montagem e na finalização eu e o Lucas, percebíamos que algumas cenas pediam mais alguma coisinha, algum detalhe e aí íamos testando várias coisas até encontrar. Na maioria das vezes era fácil.

Hyena/ 4 – Como o sound design, trilha sonora e a mixagem interferiram no filme?

Foi bem difícil, eu gosto de filme-clipão, mas não sei exatamente pensar no desenho de som. O Bruno, que fez o sound design, fez um milagre comigo, eu tentei explicar o que imaginava pro filme através do clima que eu queria pra cada cena, mas dava umas referências meio nada a ver, rs. No fim das contas ele super entendeu.

Pra mim a música é grande parte na construção dum panorama e eu sempre tive dúvidas se iria pro lado do post-rock tenso ou dos sintetizadores pra frentex. O Shannn e o Machado me clarearam as ideias e no fim das contas, eu acho que eles conseguiram juntar as duas coisas.

Hyena/ 5 – Qual o lugar da mulher no cinema e animação? 

É onde ela quiser. 84% dos filmes são dirigidos por homens, no Brasil 28% dos profissionais de animação são mulheres, ou seja, tudo é mostrado através do ponto de vista de um só grupo da população. Os problemas que homens vivem são diferentes dos problemas que nós vivemos, assim como os meus problemas são diferentes dos de uma mulher negra, dos de uma trans… Tem que ter espaço pra todo mundo, pra todo mundo ser retratado, pra que todo mundo tenha voz ativa. Quando você se vê representado, você se legitima socialmente e se sente capaz. Quanto mais mulheres tiverem em funções de chefia, mais outras mulheres entenderão que também são aptas para estar.

Hyena/ 6 – Próximo filme. 

Vish.

Eu tenho um projeto de docu-ficção sobre uma amiga que descobriu recentemente que tem lúpus. É pra ser um recorte da vida dela num filme otimista e não reduzir a “personagem” a doença, mas não tenho previsão de quando será rodado.

Penso em fazer outras animações também, mas sinto que preciso estudar mais.

Hyena/ 7 – Quem deveria assistir Mira?

O Mira é bem nichado… mas eu queria que todo mundo visse!

Como eu disse, é um filme sensorial, eu acho que ele deve ser experimentado assim como na música de uma forma mais emocional. Ele não te dá respostas, você tem que buscá-las em você e não é papo de cinema arte, cinema poesia, haha

Alguns amigos viram o filme e cada um tem uma versão diferente quando eu pergunto “o que você entendeu?” então, no fim das contas eu acho que ele diz mais sobre quem assiste, do que o roteiro.

Assista aqui o trailer: