Entrevista: Lay Soares (Tuyo/Simonami)

7 perguntas para cantora e compositora Lay Soares:

Hyena/ 1 – Quem é Lay Soares?

Uma jovem que carrega seus 22 anos, um curso de psicologia beirando o fim, voz e umas inspirações que ajudam a compor suas músicas. Aos 15 descobriu que gostava de cantar o que escrevia, e descobriu também que os outros gostavam de ouvir o que ela cantava. Em 2011 fez amizades que deram origem a sua primeira banda: a Simonami. Depois de tempos cantando com seus amigos e alimentando seu soundclound com gravações caseiras, Lay ficou conhecida (juntamente com a banda) como uma artista que gosta de compor sad songs, baladinhas tristes, falar das pequenas e grandes bads da vida. Gosta de dançar, canceriana, claramente já foi emo e é grande fã de dorama.
Hyena/ 2 – Qual foi o aprendizado que a Simonami te trouxe?

Simonami foi a primeira banda. Me ensinou a compartilhar as histórias que escrevo, a pensar em arte de uma forma mais séria. Me ensinou que eu não sei nada sobre o que eu faço realmente e que preciso me cobrar mais quanto à isso. Com a Simonami eu aprendi a me questionar mais, a questionar mais as coisas, como por exemplo, qual seria meu público? Pra quem eu canto? O que eu quero mostrar? Onde eu quero chegar com o som que eu produzo? Como eu posso aperfeiçoar? Isso tudo eu aprendi com a galera da banda, ouvindo eles e vendo o que eles faziam antes, durante e depois dos shows.

Com o Luís eu aprendi a valorizar um ensaio, aprendi a repetir, repetir, dedicar tempo às músicas pra entender a cadência do som, pra entender o que cada um faz na música, entender que cada coisa tem o seu lugar e com isso a gente consegue executar bem, sem errar, sem improvisar tanto, ou até improvisar mas, sabendo o que tá fazendo.
Com a Lilian eu aprendi a me posicionar, falar o que gosto ou o que não gosto na música, compartilhar minhas ideias (mesmo as vezes sendo umas coisas idiotas), a tentar pensar numa definição de som, do que somos, expor o que eu penso, sem me submeter à ideias que eu não curto ou que não faz o menor sentido pra mim, aprendi a ouvir e trabalhar com a ideia do outro, a dialogar.
Com o Shann aprendi a admirar não só a música mas, tudo que ela carrega de quem escreveu e criou esse som, aprendi a me ater aos critérios que eu uso pra gostar ou não gostar de uma música, pra encontrar beleza nela tanto visualmente quanto sonoramente. Aprendi a olhar pros outros artistas de um jeito diferente, procurando entender a história, a maneira que eles produzem, a bagagem que eles carregam, o que eles ouvem, qual a visão de cada um deles sobre música, sobre a vida, arte, sobre coisas que me interessam e tudo mais. Ele me ensinou a gostar de documentários!
Jean me ensinou a olhar pra estrutura da música, pro corpo dela. Me ensinou a ser DJ hahah! Com ele eu aprendi a não dar importância a pânicos inúteis, a pensar no que eu quero oferecer, de que jeito eu quero me mostrar. Aprendi a organizar o que eu já fiz (ainda to tentando isso), a valorizar meu trabalho e pensar que não somos pouca bosta. Simonami foi minha porta de entrada. Conheci pessoas incríveis por causa dele. Pude me aproximar de artistas e de bandas que eu admiro muito, pude cantar e compartilhar o palco com pessoas de quem eu sou MUITO FÃ. Nos shows a Simonami me ensinou que eu preciso alimentar minha relação com o palco e com as pessoas que estão ali pra me ouvir. Tudo isso eu ainda continuo aprendendo, é um processo que leva a vida toda.

 

Hyena/ 3 – O que é Tuyo?

Tuyo es Tu y Yo. Você e Eu. É um entregando pro outro o que tem. Entregando pra quem quer ouvir. É um projeto realizado por Lay Soares (eu, no caso) juntamente com o Machado e a Lio. Esse projeto é o lugar/momento escolhido e dedicado às canções que sangram o core, trabalhadas no lo fi, produto bruto, sem polir mesmo. Acho que Tuyo é um pequeno passo que a gente tá dando, arriscando mais, é uma tentativa de experimentar outras coisas que a gente também gosta de fazer com a música. É um jeito que a gente encontrou de dar lugar pra algumas músicas que não cabiam na Simonami, pelo menos não do jeito que a gente gostaria de tocar. No Tuyo a gente pode deixar a música crua, pode enfeitar ela do jeito que a gente quiser, experimentar os sons, enfiar tudo que a gente quiser, ou não colocar nada.

 

Hyena/ 4 – Como foi o processo de gravação dessas musicas?

As músicas desse primeiro disco foram gravadas na minha casa em Londrina, no estilo Do It Yourself (DIY), mergulhado no lo fi. Gravar em casa sem mic, sem lugar fechado pra isolar o som, sem editar rigorosamente as músicas foi uma experiência gostosa, porque o que moldou cada música foi a interferência da casa, do que acontecia nela, cada uma num momento diferente. Uma linha de violão gravada em cima de outra e mais outra e mais outra, com a junção de todas as vozes que eu quisesse colocar, mais o som do carro passando lá fora, dos pássaros cantando, da mãe falando na cozinha, da percussão improvisada com caderno, caneta, palminha, parece piegas mas, ficou legal. Resultou num som orgânico. A casa compôs a música junto comigo. Jean também ajudou bastante, encorpando o som, dando mais ganho nas músicas.

Hyena/ 5 – como rolou o processo da capa?

Quando eu e o Jean pensamos na arte da capa, vieram umas ideias loucas de colocar uns bichos, uns desenhos nossos, dar uma pirada mas, como não somos bons nisso, achamos que não ia ficar legal, descolado e conceitual então começamos a pensar em quem entenderia a ideia do Tuyo, que teria um estilo massa e simples, leve. Aí veio a ideia de chamar a Janaina da Veiga! Eu já tinha visto alguns desenhos dela pelo instragram ou pelo facebook que eu tinha curtido bastante, o traço os “temas” dos desenhos. Então achamos que seria o ideal pra primeira capa do disco e convidamos ela pra fazer parte do projeto. A ideia do raminho de flores mortas surgiu rápido porque já sabíamos mais ou menos o que queríamos, tanto a Jana quando eu e o Jean, então acabou sendo legal pra caramba, sem estresse conseguimos chegar numa arte bonitona. No final a arte acabou mostrando um conceito bonito, do Tuyo como entrega, a entrega das flores. Es Tuyo. Um presente.
Hyena/ 6 – Quem deve ouvir o/a Tuyo?

Tuyo é pra quem se interessa por um trabalho mais cru, mais sujo, pra quem curte ouvir história contada de um jeito pesado porém simples. Pra quem não acha estranho sofrer de vez em quando e consegue ver beleza nisso. Tuyo é pra quem não tem preconceito com as piras bad, dance, violão desafinado, refrão fora do compasso, tosse no meio da música. Enfim, essas coisas.

 

Hyena/ 7 – O que esperar de voce quando terminar a faculdade?

Bom, depois que eu “cumprir o dever” com a sociedade pretendo estudar mais. Estudar música, técnica vocal, aprender mais sobre composição musical, aprender de fato a tocar violão e outros instrumentos. Pretendo sair de casa e tentar me virar sozinha, como qualquer jovem desesperado pra tentar ser adulto. No meio dessa tentativa existe a outra tentativa de ser a Lay compositora, cantora, artista 24h e poder me alimentar disso. Existem ainda outros planos como viajar, ser barista, ter um cachorro, ter muitas plantas vivas e saudáveis, conhecer outros sons, outros artistas brasileiros, independentes, ou de outros lugares fora do Brasil, dependentes também, sair pelo mundão mostrando meu trabalho, aquela coisa básica. Por enquanto é isso. A curto prazo, depois que finalizar esse curso eu quero reservar um tempo pra descobrir o que eu sei fazer, na música e na vida mesmo.